Escondo os meus textos numa pasta chamada TEATRO, há muito tempo inativa. Lá, ainda é preciso escarafunchar numa pastinha nomeada PESSOALL. É, assim com dois 'Ls', mesmo. Escrever não tem sido acessível e muito menos o modo mais fácil de contar o que se passa.
Nem falando. Talvez desenhando. E olha que sou péssima. Sempre a mesma ilha, com o mesmo boneco palito náufrago esperando há mais de 20 anos pra ser salvo e um barco lá longe, perto demais do céu estrelado. Totalmente fora de simetria.
E eis, que de uns dias para cá, minha cabeça tão cansada de revirar, foi parar numa folha de papel em branco. Invés de letras, muitos vestidinhos, saias longas, menininhas sem olhos. Moda virou um refúgio. Entre todos os pensamentos nocivos e nebulosos, só algo extremamente fútil consegue me desancorar desse lodo pesado de lembranças que eu me enfio. E desenhar, de madrugada, combinações de roupa virou um alento.
As pessoas dão muxoxos pro meus desenhos, então sei que eles não são nada demais, são só um descansinho leve. Só rabiscos para esquecer o que pesa. Alivia saber que sou ruim em algo só pra mim.
Meu pai veio me mostrar um e-mail outro dia. Uma daquelas típicas correntes melodramáticas que circulam por aí com o único intuito de pegar desavisados que estejam sensíveis em uma manhã qualquer ruim. Como você já sabe, meu pai, bem, nós, estamos numa manhã ruim que começou há mais ou menos três meses atrás. Assim como o tempo maluco de São Paulo, tem dias que amanhece terrivelmente nublado e outros em que o sol aparece parcialmente. E tudo pode mudar em um dia! Enfim, era um dia desses...daqueles. O tal email dizia assim por cima (vai que você está num dia ruim, né?) que devíamos cuidar dos nossos pais como um dia eles cuidaram de nós.
Meu pai me mostrou isso depois que passamos um dia inteiro no hospital, quase dois dias sem dormir. Estranho pensar como eram as coisas antes que isso tudo aconteceu. De uma maneira intrínseca eu me adaptei rápido, chorando meus olhos fora, mas ainda assim, aquele sentimento de que não havia tempo pra pensar, só de fazer. Porque sim, assim como no e-mail, a gente sempre sabe que uma hora os papéis se invertem.
Não queria escrever nada que não fosse pensado, detalhado sobre tudo isso que está acontecendo, mas a verdade é que assim como veio sem aviso e a gente tem que aceitar e fazer o melhor, não há tempo mesmo pra ficar ruminando tudo isso mentalmente. É mais de fazer, ser presente, ser carinhosa, ser filha. Tem que ir amadurecendo pelo caminho mesmo, porque a gente tem que seguir em frente.
Seguir em frente é o resumo dos clichês que a gente escuta quando está passando por algo complicado. Isso e “Deus vai te ajudar”, que não serve muito pra mim. Fico com a primeira, que pelo menos me traz movimento. A rapidez dessa corrida fez com que muita gente não fizesse questão de me alcançar. E de uma maneira triste, mas resoluta, me despeço e sigo. Ninguém é obrigada a ter o mesmo ritmo que você, entendo. Outros, no entanto, surgem por trás da curva e se dispõe a ir junto. Estes, você agradece, fala pouco pra não perder o ar e segue junto.
Uma metáfora longa pra tentar explicar o que é o cronômetro da vida ligando. Como uma doença muda toda a configuração da sua rotina, da sua família, dos seus amigos. Eu me apego a tudo que dá pra fazer, tudo que é real, cientificamente provado. Assim me sinto mais segura, paliativos de boa esperança não resolvem em situações críticas. Quero ver o que é real. E ver o real, é de fato ter consciência da finitude, mas saber que dá pra fazer muito, muito ainda até zerar o cronômetro.
Meu pai me mostrou isso depois que passamos um dia inteiro no hospital, quase dois dias sem dormir. Estranho pensar como eram as coisas antes que isso tudo aconteceu. De uma maneira intrínseca eu me adaptei rápido, chorando meus olhos fora, mas ainda assim, aquele sentimento de que não havia tempo pra pensar, só de fazer. Porque sim, assim como no e-mail, a gente sempre sabe que uma hora os papéis se invertem.
Não queria escrever nada que não fosse pensado, detalhado sobre tudo isso que está acontecendo, mas a verdade é que assim como veio sem aviso e a gente tem que aceitar e fazer o melhor, não há tempo mesmo pra ficar ruminando tudo isso mentalmente. É mais de fazer, ser presente, ser carinhosa, ser filha. Tem que ir amadurecendo pelo caminho mesmo, porque a gente tem que seguir em frente.
Seguir em frente é o resumo dos clichês que a gente escuta quando está passando por algo complicado. Isso e “Deus vai te ajudar”, que não serve muito pra mim. Fico com a primeira, que pelo menos me traz movimento. A rapidez dessa corrida fez com que muita gente não fizesse questão de me alcançar. E de uma maneira triste, mas resoluta, me despeço e sigo. Ninguém é obrigada a ter o mesmo ritmo que você, entendo. Outros, no entanto, surgem por trás da curva e se dispõe a ir junto. Estes, você agradece, fala pouco pra não perder o ar e segue junto.
Uma metáfora longa pra tentar explicar o que é o cronômetro da vida ligando. Como uma doença muda toda a configuração da sua rotina, da sua família, dos seus amigos. Eu me apego a tudo que dá pra fazer, tudo que é real, cientificamente provado. Assim me sinto mais segura, paliativos de boa esperança não resolvem em situações críticas. Quero ver o que é real. E ver o real, é de fato ter consciência da finitude, mas saber que dá pra fazer muito, muito ainda até zerar o cronômetro.
Assinar:
Postagens (Atom)
Sou eu
Longo Caminho. Jornalista por formação, mãe por escolha, viva por persistência.

