6/29/2009 03:28:00 PM

Em terapia

Por Fernanda Tsuji |

Lembro que quando fazia terapia, a primeira semana foi devastadora. Meu nariz quase caiu de tanto assoar. Depois, na segunda e na terceira, já estava inventando novos problemas pra contar. Durou só 2 meses, mas foi o bastante para perceber que eu estava sendo dissimulada demais e cínica o bastante pra não levar a sério. Não sei se foi auto-sabotagem. Não sei se fiquei constrangida e não confiava muito nos óculos meia-lua da terapeuta. Mas notei que meu objetivo não estava sendo contar pra ela com sinceridade , mas levá-la a crer algo sobre mim. Ou seja, não deu.

Aí, ontem, vendo In Treatment (um achado do B, que agora virou um vício) me dei conta de que não sou especial. Todo mundo faz isso. A gente inventa em cima do pouco que lembra e com isso, enche as memórias de ruídos para que elas sejam justificativas do que somos agora.

Quanto à isso, me declaro culpada, mas faço uma mea culpa: eu realmente me lembro de muita coisa. Coisas que impressionam meus pais até hoje. Eu não esqueço e talvez isso seja mais uma maldição do que um dom.

A série, conduzida com maestria impressionante por Gabriel Byrne, mostra a cada dia da semana, o encontro do terapeuta com o paciente. Dura o tempo de uma sessão e quase não tem cenas fora do consultório. Portanto, não espere nada com ação e impetuoso. É apenas o consultório, o paciente e o terapeuta. Simples assim e por isso, tão infinitamente dolorido. E o mais bacana é que, exatamente por isso, os atores precisam se desdobrar. Porque não tem pirotecnia. É só uma câmera no rosto e eles tem que ser muito bons pra segurar.
A cada dia da semana, você acompanha uma história e na sexta, é o próprio terapeuta que vai para o divã. E em todos os casos, a culpa é sempre dos pais. Consciente ou inconscientemente. Adivinha se não mexeu comigo? Repenso se quero ter filhos.

Mas aí, claro, me convenço que sim, quero ter filhos. Afinal, entre erros e acertos, a gente sempre pensa que faria diferente. Mas será...?

6/29/2009 07:19:00 AM

Eat me, drink me

Por Fernanda Tsuji |


E quando estou ali dentro, tudo parece realmente do jeito que eu escuto me dizerem que é.
E acredito e me deixo ir, me culpando pelo antes. Mas é só virar a esquina e eu vejo que não é bem assim. Há mais. Sempre há.
E quando fecho os olhos e vejo tudo gigante ao meu redor, volto a sentir vontade de sair correndo até doer o peito. Mas aí...aí é fuga e fugir é sempre covarde. Ainda mais com pernas pequeninas.
Preciso comer o biscoito e quebrar o padrão.

6/24/2009 06:40:00 AM

Search

Por Fernanda Tsuji |

I pack my case

I check my face

I look a little bit older

I look a little bit colder

With one deep breath,

and one big step,

I move a little bit closer




Tudo dentro me desestabiliza. Procuro outro caminho. Me mantenho quieta. Corro sozinha no parque. Olho as pernas por baixo d'água. Tudo fora me inspira. Chego lá.

6/22/2009 06:15:00 AM

Off with their heads

Por Fernanda Tsuji |


Nota mental: inserir no arquivo de material onírico

Sim, vem aí o meu novo filme preferido. Poderia ser mais perfeito do que isso?
Que Harry Potter que nada! Pareço criança...contando os dias pra Alice no País das Maravilhas, do Tim Burton.




6/18/2009 06:56:00 AM

Start

Por Fernanda Tsuji |

Hoje acordei bem cedo e, contrariando todas as expectativas, fui nadar. Quase 1 km...Foi também o primeiro dia da volta ao trabalho. Ontem eu até cheguei a vir pra Abril, mas fiz um curso o dia todo, então nem tive tempo de sentar na minha mesa, reorganizar as canetas e colocar mais bolachas na gaveta. Dormi com aquela sensação costumeira de agitação, que estava me faltando quando estava de férias. Daí, hoje, correndo para alcançar o ônibus, vi de relance uma frase pichada no chão do metrô Clínicas: "Viver Dói". Conveniente, não? Começou tudo outra vez.



6/11/2009 04:46:00 PM

Em cartaz

Por Fernanda Tsuji |




6/10/2009 12:29:00 PM

Exposição

Por Fernanda Tsuji |

Não me lembro o nome do sujeito. Engraçado, porque eu sempre me lembro de tudo. Um karma. Mas não me lembro o nome do pintor. Enfim, eu estava naquela sala imensa do Museo de Bellas Artes de Santiago sentadinha num banco no meio da grande sala de instalação de um artista realmente fantástico (que eu deveria ter anotado o nome). Ao meu redor, quadros com mais de 4 metros de altura. O banco ficava exatamente na frente de um quadro com riscos e quadrados. Quieta fiquei perdida olhando a imagem por um tempo sem ver nada de fato. Pensava mais no que ia comer no almoço. Logo, ele veio se sentar do meu lado e impressionado, comentava sobre as obras. "Que incrível, você não acha?". Acho, mas não achava tanto assim.

O engraçado é que foi exatamente neste instante que eu pisquei e vi um pontinho que não tinha visto antes no quadro. E junto com ele, veio enfim, a imagem inteira. O quadro era uma reprodução exata da imensa sala em que estávamos. E todos aqueles quadrados e cores viraram corredores, obras penduradas nas paredes. E até nós ali.

Foi como naquela vez que você não conseguia ver o livro de imagens 3D e tudo parecia um desenho borrado e repetitivo, mas alguém finalmente te ensina que o nariz precisa encostar na folha e os olhos ficarem levemente vesgos...e bam! Você vê o coração saltar da folha direto pras suas mãos.

E de repente, todos os quadros ao redor fizeram sentido. E eu fiquei ali, feliz, rindo e rindo, maravilhada com o óbvio. Porque eu me condiciono a ficar martelando o pouco que eu entendi e só. Mas quando se vê que há mais no mesmo quadro, uau.
Tudo pra dizer que agora entendo uma cadência de obviedades que não me faziam o menor sentido antes e eu ia repetindo, repetindo, como quem pesa a mão nos clichês, mas não entende de verdade o que significa "a vida continua".

E nessa ânsia de querer explicar o que eu começo a entender, ganhei um aliado. O filme japonês A Partida, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano. É simples, quase inocente de tão previsível, porém honesto. E eu fiquei tentando procurar mil significados nele só porque estou treinada a fazer isso. Uma grande besteira. De novo é o mais simples.

Há tanto no óbvio.

6/10/2009 09:49:00 AM

Antiguinha

Por Fernanda Tsuji |

Procurando referências de figurino para a peça nova. Não consigo mesmo largar os anos 60. Audrey Hepburn, sempre um ótimo norte.

6/09/2009 09:17:00 AM

Pisco Sour

Por Fernanda Tsuji |

Evitei escrever sobre a viagem pro Chile. É que eu tenho um problema sério com lembranças recentes, você sabe. Aquela sensação de que passou rápido, que eu nem tive tempo de...mas agora que é mais passado do que presente, acho que já estou em condições.

O frio realmente frio, aquele que corta a blusa de lã e dói nos ossos. Delicioso. O olhar a cidade toda, como se fosse feita de lego, lá de cima do teleférico. Os Andes tão pertinho. Logo ali. Os mariscos de nomes estranhos e os sabores engraçados das conchas nos bistrôs. O pisco sour, claro. O vinho que deixava o corpo molinho afundar nas cobertas quentes. O nosso quarto no sotão. Os museus lindos, os parques com poucos pássaros (ainda bem), o sorvete de rosa, as ruas sem fiação elétrica. As garrafas de água de graça, o Uruguai, o Gatsby, o Shopgog. O zoológico na montanha, os perros, o esperar na porta da Falabella só pra comprar aquele casaco roxo do coringa. Ser a única japonesa em Santiago todo, contar as moedas pra andar de Funicular, se misturar entre os chilenos no metrô. A banheira minúscula. Eu e ele.
Tudo engavetado aqui, de fácil acesso pra quando precisar. E eu preciso sempre. Sou só memórias.